Saturday, October 22

“Hauru no ugoku shiro ” (2004) de Hayao Miyazaki


Após êxitos como “A princesa Mononoke” e a “A viagem de Chihiro” enfim que chega das mãos dos estúdios Ghibli – “O Castelo Andante”. O novo filme de Miyazaki, baseado no livro de Diana Wynne Jones “Howl’s Moving Castle”, conta a história de uma menina chamada Sophie que vive um pouco infeliz até ser transformada pela Bruxa do Nada numa velha corcunda e enrugada. Na tentativa de procurar reverter o feitiço, procura em vão a Bruxa, acabando por mero acaso por se tornar na mulher-a-dias de Howl, outro feiticeiro, vivendo numa espécie de castelo andante mágico. Numa mistura de fantasia e feitiços Sophie consegue como velha alcançar a felicidade que não conhecera como jovem que fora. Os cenários são encantadores e surreais, visto que a história se passa numa cidade europeia, nitidamente transformada por Miyazaki. Achei o filme muito giro, não só por relembrar muitos desenhos animados que via quando pequena, como também pelo romantismo puro tão desenraizado nos dias que correm. No entanto não deixa de ser um típico conto de fadas, a temática está lá apesar de um pouco diferente dos chamados “contos europeus”, em que a fantasia é mais limitada que a oriental. Já ouvi opiniões de que o final é um pouco apressado, talvez...mas qual é o final de um conto de fadas que não é em geral rápido no “bom sentido”. Pelo menos é a sensação que eu tenho, lembro-me da Cinderela, em que mal o príncipe descobre de quem é o sapato e casa logo com ela, e quando entram feitiços pelo meio mais natural é. Em suma o filme é muito giro e recomendável, mas não é nenhuma obra inovadora. Só queria deixar um ponto positivo às dobragens portuguesas, acho que estão a melhorar consideravelmente, às vezes têm vozes um pouco estridentes, mas ok continuem assim...só de me lembrar do “Aladino” em brasileiro (ups português regional do Brasil)...

4 comments:

TF said...

Eu quando entrei no cinema pensava que ia ver a versão japonesa. Quando ouvi «Sophie, onde é que estás?» senti um baque. Mas não me posso queixar da dobragem, gostei na mesma do filme.
Fiquei sem saber se gostas ou não da do Aladino. Se calhar até é por eu ter crescido com aquilo, mas eu gosto muito da versão brasileira. :)

Tzipporah said...

Ora nem mais, foi exactamente o que me aconteceu...estava convencida que ia ver em Japonês até porque apareceu o título no início e a legenda em português....Quando ouço "Sophie" ainda tive a esperança de ser inglês ou coisa do género, mas as palavras seguintes derrubaram-me por completo, e só aí percebi porque estava uma criança de +/- 6 anos a ver o filme.
Mas ok o filme foi porreiro e a dobragem foi bem melhor do que o que eu estava à espera.
Quanto ao Aladino, na altura vi-o com 9 anos e gostei, mas em geral não curto muito versões em brasileiro, mas deliro completamente com as músicas dos desenhos animados aliás " O mundo ideal" mesmo em brasileiro marcou sem dúvida a minha infância.

TF said...

Apoiado. Não há nada como as músicas da Disney para nos levar de volta à infância. :)

Boreas said...

A última do senhor Miyazaki, apesar de um pouco atrasada...e o quarto dos seus filmes que vi (Nausicaa, Mononoke, Sen to Chihiro no Kamikakushi). Adiciono tambem a referencia por muitos desconhecida que 2 dos animes mais conhecidos da decada de 80 em Portugal sairam tabem das mãos deste senhor: Mirai shonen Conan,(Conan o rapaz do futuro) Arupusu no shoujo Heidi(Heidi, a menina dos Alpes).

Falando agora do filme em si, muito classico no estilo de Myazaki e estudios Ghibli. Fantasia e historia epica de uma menina que por obra do destino se vê obrigada a confrontar adversários terriveis, para se livrar de uma maldição/guerra.
Achei um pouco estranho a ausencia de porcos e javalis, que já nos habituaram nos filmes anteriores.

Os cenários estavam fabulosos e tal como já foi dito recriam de um modo muito proprio as cidades europeias. Note-se que os japoneses tem um enorme fascinio pela arquitetura ocidental, principalmente de cidades mais centrais e do leste como Praga e Vienna que são constante fonte de inspiração.

A nivel de música...hum....esperava um pouco mais da banda sonora confesso, se há coisa que eu prezo na maioria das obras de animação japonesa é o uso da orquestra sinfonica. Desta vez passou-me bastante despercebido e não consigo destacar nenhuma em especial.

A história, confesso que não conheço o original, nem sabia sequer da sua existência. Bastante entretida e um pouco previsivel desde o inicio, estaria tudo perfeito senão quando... os 10 ultimos minutos se tornam completamente caoticos em termos de compreensão.

Suliman que foi apresentada como a verdadeira má da fita, acusada de guerras entre paises, tinha realmente a razão que Howl não tinha coração, porém...Howl tinha tambem razão que ela era a culpada pelas guerras e destruição. E por mistério do amor ou do argumento manda simplesmente acabar uma guerra como se simplesmente tudo fora pretexto para Howl e sem dar ao publico qualquer tipo de explicação... mensagem implicita ou falta de tempo para acabar o filme?

Realço tambem um outro pormenor que me agradou imenso, a porta negra/espelho da alma/passado de Howl. Uma das analogias que mais aprecio nos contos é o uso do espelho, creio já o ter mencionado anteriormente.

E por fim mas não menos importante, a dobragem. Lamento a Lusomundo disponibilizar versão japonesa apenas em Lisboa e Gaia, não desgostei da direcção de dobragem nacional mas confesso que algumas personagens ficariam muito melhor em japones, nomeadamente Howl, e os apontamentos mais cómicos,eles conseguem ser muito mais expressivos e entusiasmados que os actores portugueses
Curiosamente de todos os seiyuus ( actores de dobragem japoneses) escolhidos para o filme é Akio Ohtsuka( o rei que aparece por escassos segundos), aquele que apresenta maior curriculo em dobragens tendo participado em imensas séries animadas desde os classicos Black Jack, Babel II e Lupin III, as séries de culto Ghost in the shell e Cowboy Bebop e Rurouni Kenshin e os sucessos massificados juvenis japoneses actuais One Piece e Bleach

Estendi-me um bocado e divaguei bastante, mas é uma das raras oportunidades que tenho para exercitar o meu lado mais otaku( fã de séries animadas japonesas).

Arrisco-me a classificar 7/10
Chihiro ainda continua acima na minha opinião.

E para os amantes da disney... o rei leão, para mim um dos melhores filmes é um genuino copypaste de Kimba o leão branco do Osamu Tezuka, pai da animação japonesa como é vista na actualidade.