Thursday, August 25

“The Merchant of Venice” (2004) de Michael Radford


Shakespeare no seu melhor!
Sempre gostei das peças de Shakespeare, ainda não li nem metade, mas há algo nele que me fascina, talvez seja o modo como caracteriza as personagens e a sociedade. Esta obra foi transposta para o ecrã com actores fabulosos: Jeremy Irons e Al Pacino são de facto uns srs nestas andanças. A história ocorre em 1596 na bela cidade de Veneza, cujas tão conhecidas máscaras escondem o preconceito e o anti-semitismo, e isso é vincado na separação existente na cidade entre cristãos e judeus, sendo estes permitidos de andar misturados com cristão apenas com o uso de um boné vermelho que os identificasse, lembrando outrora as braçadeiras que os judeus usavam na Alemanha de Hitler. É sabido que os judeus sempre foram excelentes no que toca a assuntos de dinheiro, e portanto não é de estranhar que fossem agiotas, ganhando bens e dinheiro com esta “profissão”. E é a partir daqui que a história começa, apesar de escarnecidos os judeus continuavam a ser o recurso de muitos cristãos, fazendo para tal os devidos penhores. Apesar da dívida ser o mote para a história, não é pelo dinheiro em si que se movem tantas emoções (como a vingança) e preconceitos, e para mim o melhor diálogo é o que Shylock (o judeu) profere :

- I am a Jew. Hath not a Jew eyes? hath not a Jew hands, organs, dimensions, senses, affections, passions? fed with the same food, hurt with the same weapons, subject to the same diseases, healed by the same means, warmed and cooled by the same winter and summer, as a Christian is? If you prick us, do we not bleed? if you tickle us, do we not laugh? if you poison us, do we not die? and if you wrong us, shall we not revenge? If we are like you in the rest, we will resemble you in that.

A dívida é entre António (Jeremy Irons) e Shylock (Al Paciono), para que o primeiro “ofereça” ao seu mais que amigo Bassânio (Joseph Fiennes), para que consiga se casar com Pórcia (Lynn Collins) e pagar algumas dívidas. Bassânio parece tentar-se aproveitar do amigo, que aparentemente nada lhe nega, é uma amizade cega, reforçando a existência dos dois amores da vida de Bassânio.
As falas são soberbas, só lamento que Al Pacino não tenha o sotaque britânico, pois acho que ficaria mais que perfeito, sendo mesmo assim a sua performance genial.
O desenrolar da história não é muito favorável para o judeu, que apesar de olho por olho dente por dente, vê que vingança não foi um bom caminho...à primeira vista parece que o judeu foi castigado pela sua “maldade”...mas na verdade é uma personagem muito humana, que apenas tenta “sobreviver” naquela sociedade mesquinha e altiva. O mote do filme é sem dúvida o do perdão...há sempre que perdoar e continuar para a frente. Paralelamente temos também uma boa actuação de Lynn Collins, a jovem muito sensata que determina o rumo da história devido ao seu amor puro por Bassânio. Como secundários aparecem os actores Kris Marshall (ex “My family”) e Mackenzie Crook (ex. The Office) das tão conhecidas séries de humor britânicas e de participações em filmes bem conhecidos.

2 comments:

TF said...

Foi pena este filme ter passado ao lado do grande público quando esteve no cinema em Março. Na altura, fiz questão de o ir ver e não me arrependi nada. Lembro-me de ter feito um post sobre o filme.
Gostava de o rever, sou capaz de o alugar agora nas férias. :)

Tzipporah said...

:) ya vale mesmo a pena rever e ver os comentários dos actores e realizador. Há imensos filmes que passam ao lado por não serem blockbusters...enfim...há que privar do grande ecrâ e ver em casa...