Friday, September 23

“Cidade de Deus”(2002) de Fernando Meirelles


Na “Cidade de Deus”, uma das várias favelas do Rio de Janeiro, o poder anda de mãos dadas com a morte, quem manda na favela é respeitado...mas não por muito tempo. Aparece sempre alguém a desafiar o poder, seja pelo dinheiro do tráfico de droga ou por ser ainda mais criminoso. A história desenvolve-se ao longo dos anos de um rapaz chamado “Busca-pé”, acompanhando os “bandidos” da época, uma artilharia cada vez mais pesada e regras cada vez mais duras. A visão é de inferno, as pessoas morrem nas favelas e isso parece nada significar, muito menos para a polícia que procura meio de ganhar algum lucro com a desgraça alheia. Parece um mundo completamente à parte daquilo que conhecemos e no entanto a criminalidade é conhecida mas não interiorizada. Ver este tipo de filmes faz-me pensar seriamente numa maneira de resolver o assunto, e acho que não chego a conclusão nenhuma...porque no fundo não os percebemos. Nos dias de hoje vemos polícias a entrar nas favelas como se fossem para a guerra, com muito medo porque é certo que as armas deles sejam mais e bem melhores. O filme reforça e muito bem que existe uma linha muito ténue entre a honestidade e a criminalidade quando se está numa favela, porque no fundo parece haver poucas escolhas para quem lá vive. No dia seguinte pode acontecer o impensável e cada dia a cada instante o rumo das suas vidas podem mudar num piscar de olhos. As favelas não conhecem leis só conhecem o medo e a morte! No entanto ainda pode haver esperança, e essa mensagem também é importante, por caminhos tortos pode-se chegar ao bom caminho basta um pouco de cabeça...
Como é de esperar o filme é um pouco duro, não pelas imagens que estamos habituados a ver em outros filmes como o sangue, as mortes e os tiros, mas pela sua realidade, porque a violência acontece de facto todos os dias. A linguagem é claro pouco ortodoxa, alguns planos de imagem estão muito bem conseguidos e a narração da história suaviza e tira a “monotonia” dos tiros que acabaria por provocar a indiferença.
Para mim um filme a ver e não a rever!

2 comments:

TF said...

Apoiado! :)

Tzipporah said...

:P obg!!!