Sunday, September 16

"Highlander The Source" de Brett Leonard


Longos tempos vão em que os domingos eram passados a uma velocidade bem mais lenta e passados muitas vezes em frente à televisão assistindo a uma das minhas séries favoritas da época. Essa série era nada mais nada menos que os “Imortais”…Ouvir Queen “Princes of the Universe” no genérico era algo vindo de outro mundo, e a série, nos idos anos 90, passava-se nada mais, nada menos, do que na cidade da luz, Paris a eterna Paris…Duncan MacLeod é o protagonista, interpretado por Adrian Paul, que vive num barquinho no Sena à medida que vai fazendo rolar algumas cabeças para tornar-se no último imortal….Beacuse in the end there can be only one! Toda a mística da série é acompanhada pelos filmes, nomeadamente “Highlander” (1986), “Highlander II: The Quickening” (1991), “Highlander III: The Final Dimension” (1994) e “Highlander: Endgame” (2000). Confesso apenas ter visto o primeiro e o último dos acima mencionados e gostei…O primeiro peca em muitos aspectos, principalmente quando vivemos numa era da tecnologia e da cor, e olhamos para trás com desdém…mas o filme foi feito nos anos 80 e isso desculpa qualquer coisa, mesmo até as roupinhas de cabedal e os penteados malucos…mas mesmo assim são fiéis à doutrina…O filme de 2000 é obviamente um filme com maior qualidade e bem mais apetecível ao olho…Todos os que conhecem a série sabem que ela se encontra limitada e os filmes acabam por bater sempre na mesma história, mas por vezes conseguem explicar alguns factos e contar alguns contos antigos que nos permitem entranhar melhor na história dos imortais…Pois tal foi o meu espanto quando vi que ia sair um novo filme dos Imortais…” Highlander The Source”…. wow com este título definitivamente vai ser um excelente filme, até porque isto dos imortais é giro e a origem deve ser uma história super interessante…Errado!!! O filme é um dos piores que eu tenho visto ultimamente…tem um péssimo argumento, daqueles que uma pessoa se ri da estupidez no próprio filme, em termos de cor e efeitos especiais é mesmo tão mau que só desejamos passar à próxima cena, os actores enfim...A história centra-se numa época não muito distante de nós, em que o caos emerge, incrivelmente só numa Europa de Leste muito destruída, em que os computadores e as transmissões sãos super avançadas, mas os carros são exactamente iguais e ainda levam gasóleo à maneira dos anos 80, sim naquelas gasolineiras fraquinhas e antiguinhas. O caos permanece e os imortais procuram a origem, porquê?? Bem eu também não percebi muito bem… mas na investida encontram o guardião da origem que tenta matar os poucos imortais que restam, entre eles Duncan MacLeod, Methos, um antigo inimigo deste, Reggie e Giovanni um cardeal loiro provavelmente da Opus Dei com o cabelo mais piroso, até dos anos 80, e sem dúvida o pior actor do filme juntamente com o guardião…E entra lá pelo meio a mulher de Duncan que o abandonou…e que tem visões de onde a origem se encontra…mas lá pró fim ninguém percebe afinal o que ela é…O filme é confuso, chega a ser estúpido e quebra qualquer mística dos Imortais…não vejam este filme…não sei se é por ser europeu mas é mesmo muito mau…vejam o trailer e tirem as suas conclusões…em pleno séc XXI não se justifica fazer um filme assim tão mau.

Tuesday, June 12

E assim acaba...

Como a efemeridade da flor que desabrocha...


Como a recordação de um passado tão penoso quanto belo...


Mas agora... renascida com a alegria do jorro da vida...

Sunday, June 3

Nerja...

Nerja-Balcão da Europa
Gosto de olhar para o mar, vê-lo revolto, vê-lo calmo, como se de uma pessoa se tratasse...com emoções...cheio de vida...
Trato-o como um amigo, pedindo conselhos...pedindo uma luz... e vê-lo simplesmente dá-me um pouco mais de vida...dá-me paz..dá-me esperança...dá-me certeza...




Água...

água que refresca...

água que mata a sede...


água que espelha a alma...


água que lava o corpo e a mente...

água de dá vida...


água que navega e percorre o mundo,
até perder de vista...


água que serena e apazigua...
água sem a qual nada somos,
pois somos também água,
a água do mundo

Saturday, June 2

Entre partidas e chegadas...

Meses passaram...um abandono repentino...mas já há muito esperado...foi um tempo de batalhas perdidas...de histórias imemoráveis...e principalmente de luta...e há sempre uma pequena vitória...
Há tempos difíceis em que não nos reconhecemos, em que nos olhamos no espelho e perguntamos quem está do outro lado...quem é a personagem que com tanta dificuldade esboça um sorriso...mas são estes tempos que nos preparam para a jornada que nos aguarda e que valorizam tudo o que nos rodeia...E é o que me rodeou aqui nesta minha jornada andaluz em Málaga que eu deixo em fotoreportagem...


A Catedral de Málaga

O Alcazaba

Igreja do Sagrado Coração

(Um espanto....a surpresa de encontrar esta igreja)

Praça de Touros de Ronda


Ponte Nova sobre "el Tajo"

A praia em Marbella ao fim do dia


A Mesquita em Córdoba

Os jardins do Alcázar dos Reis Cristãos em Córdoba

Granada...uhmmm....a imagem diz tudo...é mesmo para meter nojo eheheh

dentro do palácio dos Reis Nazaríes, la Alhambra

Arabescos e pormenores no patio de los Leones, Palacio dos Reis Nazaríes

Generalife, la Alhambra

Catedral de Granada
um adeus ao Alhambra visto da cidade de Granada cá em baixo do monte...

Sunday, March 11

“Man cheng jin dai huang jin jia” de Zhang Yimou

Finalmente cá nos chega o tão esperado “A Maldição da Flor dourada” do realizador que já nos deliciou em filmes estupendos como “ Herói” e “A casa dos punhais voadores”. Século X, dinastia Tang…o Imperador Ping regressa ao palácio repleto de crisântemos (as tais flores douradas) para o festival Chong Yang. E é à sua chegada que despoleta a intriga imperial há muito congeminada…A Imperatriz congemina há muito um plano para destronar o imperador enquanto este lentamente a condena à loucura. Mas a intriga não pára aqui… a complexidade da trama é muito superior, bem ao estilo imperial da China, envolvendo os sucessores directos do imperador como peões acossados pelo complexo de Electra. A intensidade das cenas é por vezes cortante, desde a relação da mãe com os seus “filhos” e a forma acutilante, severa e ao mesmo tempo serena do Imperador, que é soberba. Gong Li e Chow Yun-Fat simplesmente fabulosos…A dimensão da batalha final com autênticos figurantes no filme é majestosa e ao mesmo tempo bela no filme que é o mais caro da China até à data. O filme é todo muito colorido e simbólico apesar do dourado dominar o filme. Os cenários são muito bons, desde o palácio, rico e majestoso, às montanhas agrestes…temos de tudo desde uma visão da criadagem, a ninjas e a soldados de todas as cores e feitios. O único quê deste filme para os fãs habituados às lutas de espadas e de ninjas será uma menor parte do filme para esta acção e uma maior intriga que não reduz o filme nem por sombras. É um óptimo filme…sem sombra de dúvidas.

Saturday, February 17

“The Pursuit of Happyness” de Gabriele Muccino

Em Busca da Felicidade é um filme que apela ao sentimentalismo, é o filme pelo qual nos enternecemos com as personagens e com as suas vidas. Will Smith interpreta uma personagem real “Chris Gardner” à qual lhe valeu várias nomeações nomeadamente para os Óscares. Chris é pai de um miúdo de 5 anos, classe baixa, que vende aparelhos a médicos e clínicas que detectam a densitometria óssea, mas que após alguns anos verifica o falhanço do negócio e como a falta de sucesso limita a sua vida, tanto financeira como sentimental. Não conseguindo suster a família a mulher abandona-o, cansada da vidinha miserável e de fazer vários turnos por dia, afinal o sonho da América é mais do que isso…Chris acaba por conseguir ficar com o filho, mas rapidamente perde tudo e passa a ter como tecto, o quarto que consegue, ficando na fila de espera para os sem-abrigo, não sendo sempre fácil consegui-los.

Chris tem um sonho e em parte a confiança de que pode fazer melhor e tenta obter um cargo como corrector de bolsa, mas primeiro é necessário fazer o estágio não remunerado e obter o 1º lugar entre 20 ou mais estagiários. Nada fácil sem dinheiro, sem casa e com um filho de 5 anos...E claro temos o drama de uma criança (interpretado pelo filho de Will Smith - Jaden Smith) que alheada de tudo e de nada tenta viver a sua infância e ao mesmo tempo consolar um pai desolado. É sem dúvida um típico filme americano…da coragem, da miséria, do sonho americano, da escalada de pobre a multimilionário….Pois a história é verídica e Chris realmente subiu as escadas do poder e conseguiu… Todavia não deixa de ser um filme comum, tocante mas já demasiado banalizado pela 7ª arte. A cena na casa de banho do metro é muito boa e Jaden Smith é um fofo…destacando-se na minha opinião mais que o pai, que mesmo assim tem um registo bem diferente de MIB ou mesmo “Independency Day”.

Um filme razoável no estilo sentimentalóide mas não extraordinário.

"Bobby" de Emilio Estevez


Emílio Estevez realiza e actua ao lado do pai, Martin Sheen, neste filme biográfico da morte de Robert F. Kennedy em 6 de Junho de 1968 no Hotel Ambassador. RFK foi um dos dois irmãos mais novos do Presidente democrata John Kennedy. Foi um dos conselheiros do irmão e esteve envolvido em muitas questões importantes da época, nomeadamente o Vietname e os direitos raciais. Após o assassínio de JFK em 1963, RFK continuou em funções com o Presidente Johnson que sucedeu ao irmão. Em 1968 candidata-se à presidência, rivalizando com Eugene McCarthy a liderança do partido democrático. RFK simbolizou para o povo a nova esperança, a viragem que os EUA tanto ansiavam, mas que acabou numa cozinha de um hotel muito famoso de LA, às mãos de um palestiniano (por causa do apoio a Israel), no dia preciso em que RFK tinha ganho as primárias em LA.

Apesar da história ser de conhecimento geral, pois marcou uma época, o filme cativa-nos de uma forma surpreendente. O elenco é cheio de actores conhecidos: Laurence Fishburne, Heather Graham, Anthony Hopkins, Helen Hunt, Joshua Jackson, Ashton Kutcher, Lindsay Lohan, William H. Macy, Sharon Stone e Demi Moore. Cada personagem é uma peça que encaixa perfeitamente no puzzle, desde os trabalhadores mexicanos ilegais do hotel à miúda que se casa para salvar um rapaz da morte certa (alistar-se no exército). É o retrato da época, da devoção, dos valores de RFK para os EUA dos anos 60 e da mal fadada guerra no Vietname, qual chacina para os jovens. RFK era a esperança e é impossível não sair do filme com pena, com vontade de mudar as coisas, de nos tornarmos mais humanos…mais idealistas…

Como filme está muito bem conseguido mas não é filme de realizador e não há personagens em evidência, todos trabalham para um bem maior…a mensagem para as gerações futuras…

Sunday, January 14

“Babel” de Alejandro González Iñárritu


Babel é um filme cru, nem sempre agradável, chega ao espectador de uma forma inesperada mas deixa a sua marca. Babel conta três histórias interligadas decorrentes em 3 continentes diferentes: América, África e Ásia. Em Marrocos, uma turista americana, Susan Jones(Cate Blacnchett), é alvejada acidentalmente. Os filhos desta, por consequência, vão para o México com a ama mexicana, por esta ter de ir ao casamento do filho. No Japão Chieko vive o drama de ser surda-muda e teenager incompreendida. Vive-se neste filme o drama do terrorismo, a facilidade com que uma brincadeira estúpida vira um problema político internacional, tal é a sensibilidade do mundo. O drama familiar, por vezes corriqueiro e livre de diálogo é posto à prova em circunstâncias de sobrevivência. O quão menor tudo se torna…e como é a grandeza do amor. México, problema político tão vincado…irritabilidade à flor da pele nas fronteiras…lei da sobrevivência e do egoísmo, desespero, falta de humanidade… uma má escolha pode se tornar numa catástrofe… Japão, cidade populosa…solidão extrema…Chieko apenas quer um pouco de carinho humano…não é afinal o que queremos todos??? Amor…presentes nas suas várias formas em cada história…é que é o mais importante…é o que ajuda nas alturas difíceis e é por ele que sofremos…nada mais…

Este filme vinca problemas actuais desde a imigração ilegal, o terrorismo/estado de medo e a incompreensão social/humana. É um filme intenso…é um filme de Iñárritu… Peca pelas passagens bruscas e não acho que Brad Pitt esteja assim tão bem como postulam. É um filme bom a fugir para o razoável, e apesar de tudo não me atingiu.

Friday, January 12

“Eragon” de Stefen Fangmeier

O filme fantástico de Natal foi sem dúvida Eragon, apesar da enchente de filmes de animação tais como “Happy Feet” e “Artur e os Minimeus”. Inspirado na obra homónima de Christopher Paolini, o filme sofre com os assobios face a uma óbvia comparação à trilogia do Senhor dos Anéis. Paolini escreveu jovem o livro, inovou pouco e foi criticado por isso. Mesmo assim teve um sucesso colossal. De certa forma a fórmula mágica resulta, mas o género necessita de mais… Stefen Fangmeier, associado aos efeitos especiais de vários filmes, tais como: “Saving Private Ryan”, “Master and Commander”, “Lemony Snicket” e é neste campo em que ele é melhor. A personagem que marca uma posição é o dragão Saphira (Rachel Weisz) e Brom interpretado pelo grande Jeremy Irons. Já as restantes são um pouco insípidas, e o jovem Eragon ainda muito cru. Por vezes perde-se a narrativa e é tudo muito instantâneo, perdendo-se a intensidade presente no livro. As paisagens valem a pena e foram filmadas na Hungria e Eslováquia. O jovem actor Edward Speleers (Eragon) mencionou que irá participar nos restantes filmes, Eldest e Empire, sendo que o livro deste último ainda não foi publicado da Trilogia da Herança. Cá esperamos…

Monday, January 1

“A bruxa de Oz” de Gregory Maguire


Gregory Maguire é um autor americano que contribui para o imaginário infantil e adulto com obras como:”Confessions of an Ugly Stepsister”, “Lost”, “Mirror mirror” e “Wicked”, que se baseiam em personagens intrínsecas à nossa cultura.
“A bruxa de Oz” relata um possível background do famoso livro de L. Frank Baum “O feiticeiro de Oz”, que foi imortalizado no filme de 1939, sob a direcção de Vítor Fleming e protagonizado pela doce Judy Garland.


“A bruxa de Oz” é um livro para adultos que fantasia o nascimento das Bruxa Má do Oeste, a Má do Este e o seu relacionamento com a Bruxa Boa do Norte, e todo o percurso até à chegada de Dorothy. Acrescentando à fantasia um fundo político temos um regime hitleriano/fascista em Oz, um clima de medo e de opressão de ideias e ideais.
Este livro é uma brisa fresca com todo o seu imaginário…e que bom é poder imaginar e sonhar com as personagens e as suas demandas, tal e qual visualizar o filme com todas as suas cores e música.


(site do autor http://www.gregorymaguire.com/)

Tuesday, November 21

“The Departed” de Martin Scorsese


Uma vez mais, à semelhança de “Gangs of New York”, Scorsese realiza um filme centrado num bairro governado pelo crime organizado irlandês, só que no Sul de Boston. Este bairro é governado por Frank Costello (Jack Nicholson), o chefe da máfia que a polícia tenta avidamente capturar. Com reviravoltas e esquemas à mistura Costello consegue ter na SIU (Unidade de investigação especial) Collin Sullivan (Matt Damon) como toupeira. Em contrapartida a polícia de Boston coloca William Costigan Jr (Leonardo DiCaprio), agente recém-formado, como agente infiltrado no gang, tirando assim partido do seu passado/ascendência. Enquanto que Sullivan consegue manipular a sua ascensão na carreira fazendo-se passar por bom polícia, Costigan passa o diabo para aparentar ser mau. E é este ser mau que por vezes falha, DiCaprio representa bem sim senhora mas há cenas em que custa a crer que o próprio Costello ache que ele é um bad boy. Este filme demonstra claramente a complexidade destas redes e da própria dicotomia polícia/criminoso, nem sempre muito clara. Entre a linguagem própria de Scorsese e baseando-se noutro filme – “Infiltrados” de Wai Keung Lau e Siu Fai Mak, ele consegue realizar um filme bom, Sullivan apresenta-se pouco carismático e pouco leal, Costigan atormentado mas determinado e Costello poderoso mas consciente. Entre os secundários temos outros actores: Alec Baldwin, Martin Sheen, Mark Whalberg e a actriz Vera Farmiga.
O único problema do filme e da maioria deste género é a falta de surpresa…que este só consegue parcialmente no final. As cenas de acção são muito cruas (não necessariamente mau) e para quem viu a cena final do Miami Vice, esta sabe honestamente a pouco. Jack Nicholson absorve completamente o ecrã ofuscando tudo e DiCaprio continua a ter infelizmente alguns tiques, mas parece-me no bom caminho. Não sou fã de Scorsese mas admito sem dúvida o seu calibre, é pena que este género esteja a desfalecer por falta de argumentos poderosos. Este até é bom mas falta-lhe qualquer coisa, prende o espectador e deixa-o expectante mas há qualquer coisa de dejá vu. Mas bom à mesma...por isso vejam.

Tuesday, November 7

Monday, November 6

“Children of Men” de Alfonso Cuarón

Ano 2027, o mundo é um caos e perece da incapacidade da espécie humana de se perpetuar. Não há futuro, logo não há esperança, nem para a humanidade nem para o planeta. No entanto, a Inglaterra ainda se mantém, quiçá por ser uma ilha, aprisionando e instigando a remoção de todo e qualquer emigrante, os quais são remetidos para campos de “concentração” sem o mínimo de humanidade. Clive Owen, Julianne Moore e Michael Caine integram o elenco deste filme, realizado pelo autor mexicano de filmes como “Great Expectation (1998)”, “Y tu mamá también (2001) e o mais recente “Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004)”. O argumento é baseado no livro de P.D. James, com o título homónimo ao filme e escrito pelo próprio Cuarón. A trama toma curso quando Faron (Clive Owen), antigo activista é incumbida de levar a mãe da humanidade até a um barco na costa da Inglaterra, que a levará a ela e ao seu filho até aos Açores, onde está sedeado o Projecto Humano que visa a renovação da espécie.

A história não é nova… a infertilidade é um problema cada vez mais actual, mas nunca a tão grande escala. O que será necessário para que massivamente todas as mulheres deixem de ser férteis de um momento para o outro? Culpa-se a poluição, culpa-se as novas tecnologias, mas a verdade é que nada disso é bem explicado ao longo do filme. É natural que a infertilidade aumente…mas e os países de 3º mundo? Será viável? Não me parece…Demasiado cliché a ideia de que apenas um mulher poderá salvar a humanidade e que pouca coincidência, ela é negra e “estrangeira”, tal como provavelmente a nossa origem, quando o homem veio de África. Até Maria, a mãe de Cristo o foi. O filme tem o seu quê de violento, não só visualmente como psicologicamente. Apesar das guerras do século passado ainda estarem muito presentes e as guerras do presente serem fruto de grande exposição mediática, o certo é que ainda nos espantamos com a nossa “humanidade”, com a nossa pequenez e como a própria política rege sobre as dificuldades.
O filme é mediano porque não se foca na explicação mas na acção, demonstra bem o caos e expõe por comparação inevitável o problema dos refugiados e dos emigrantes (ora não fosse o autor mexicano) e ao mesmo tempo caí no erro de não aproveitar bem os seus actores. A situação parece por vezes tão irreal como por vezes a própria representação, provavelmente por falta de densidade das personagens.

Sunday, September 17

“Volver” de Pedro Almodóvar


Pedro Almodóvar é conhecido pelo impacto dos seus argumentos, que normalmente abordam temáticas actuais importantes e cuja reflexão é necessária. Em cada filme ele coloca normalmente um pouco de si, mesmo que s apenas no nome que dá às personagens que incarnam as histórias. Em “La Mala Educación”(2004) é abordado o tema da pedofilia nos colégios de padres, facto que o próprio Almodóvar presenciou. Em “Volver” é contada a história de três gerações de mulheres, da mesma família, cuja vida é retratada de uma forma muito realista, chegando a ser divertido visualizar todas as agruras pelas quais elas passam. O cenário alterna entre Madrid, nas zonas mais pobres e a terra natal das heroínas do filme, algures em La Mancha. Penélope Cruz, faz agradavelmente de Raimunda, e juntamente com a irmã Sole (Lola Dueñas) vêem-se na presença de Irene, a mãe morta (Cármen Maura). O desenrolar da história remexe num passado doloroso, mas apesar de toda a tristeza e dureza da vida, estas mulheres são tão fortes, determinadas e corajosas que a vida é obrigada a lhes sorrir. O filme é sem dúvida uma comédia agradável, com a surpresa de uma boa interpretação de Penélope Cruz, sem dúvida melhor na sua língua natal.

Sunday, September 3

“Miami Vice” de Michael Mann


Miami Vice é sem dúvida o filme do ano, embora nem toda a gente tenha a capacidade de o reconhecer. Apesar do título sugerir uma adaptação fiel à série famosa dos anos 80, o filme é bem mais actual que isso. Miami Vice conta uma história realista, das muitas que poderiam acontecer a dois detectives infiltrados de Miami. O espectador consegue perfeitamente absorver toda a adrenalina e energia, toda a introspecção a que são sujeitos os personagens, não fosse o filme rodado por Michael Mann, mestre nas cenas de acção e nas cenas absolutamente deliciosas em que o personagem pára e como ele tudo à sua volta. A realização é fantástica e com a utilização das câmaras de TV, com o grão característico, confere ao filme uma intensidade e realidade pouco comum nos filmes actuais. Jamie Foxx sobressai-se mais que Colin Farrel, apesar deste viver um romance intenso no qual Gong Li é soberba. Apesar das cenas de acção serem poucas as ao longo do filme, elas entranham no espectador e é difícil sair indiferente a este filme. Era bom que houvessem mais realizadores assim.

“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” de Gore Verbinski


O primeiro Piratas das Caraíbas revolucionou o conceito cinematográfico da pirataria dos mares, elevando o filme a uma grande popularidade. Esta popularidade deveu-se não só à história, mas à fantástica interpretação de Johnny Depp como o pirata visualmente mais gay e cómico.
Enquanto que o primeiro cheirava a inovação, este segundo filme, continuação das aventuras de Jack Sparrow, é puramente um filler. Não só é delineado nos moldes do primeiro, como são inseridos personagens tipicamente desinteressantes, para justificar uma ligação entre a busca do cofre do homem morto e as personagens. Will Turner conta neste filme com a presença do pai que é pouco explorada, servindo de âncora a um argumento a meu ver pobrezinho…não fosse no fim o rival do primeiro filme tornar-se no apoteótico salvador. Além disto distorcem todo o romance em prol de quê? Continuam a dar uma espada ao pobre do Will e toma lá vê se fazes umas coisinhas, enquanto a tua personagem se desvanece na sombra do Capitão Jack. Até o ressurgido Capitão Norrington acaba por ter mais presença. Por este andar o último filme, terá certamente uma dicotomia Jack vs Will, em que a menina Swan será raptada por um pirata asiático, interpretado pelo extraordinário Chow Yun-Fat. Toda a fantasia do barco, o polvo gigante e as caracterizações pareceram-me pouco credíveis e demasiado infantis para um filme que apesar de tudo tem um público-alvo bastante adulto. Apesar de outros filmes serem nitidamente superiores, face aos valores de box office é realmente o filme deste verão.

Monday, July 10

Blockbusters para este Verão




Miami Vice



Piratas das Caraíbas: O cofre do homem morto



O regresso do Superhomem

“The Break-Up” de Peytoon Reed



A maioria das pessoas sonham em encontrar a sua cara-metade, a tampa para a sua panelinha e o pior é que muitas vezes encontram só que a convivência é de facto um factor de risco. Este filme retrata essencialmente os problemas que muitos casais encontram pela vida fora, a não cedência e a falta de sacrifícios, em suma o egoísmo que não permite que não vejamos mais além e esse mais além não é mais do que a pessoa com quem dividimos a vida. Esta comédia dramática conta com a participação de Jennifer Aniston e de Vince Vaughn embrenhados na luta do imóvel onde ambos vivem, mas o que não se apercebem é que cada vez mais se ferem um ao outro. Este filme só vem realçar a falta de diálogo e de sacrifício de que sofrem os casais e que de uma maneira ou de outra também é possível mudar e que o amor como sentimento apenas não é tudo.