Saturday, February 17

“The Pursuit of Happyness” de Gabriele Muccino

Em Busca da Felicidade é um filme que apela ao sentimentalismo, é o filme pelo qual nos enternecemos com as personagens e com as suas vidas. Will Smith interpreta uma personagem real “Chris Gardner” à qual lhe valeu várias nomeações nomeadamente para os Óscares. Chris é pai de um miúdo de 5 anos, classe baixa, que vende aparelhos a médicos e clínicas que detectam a densitometria óssea, mas que após alguns anos verifica o falhanço do negócio e como a falta de sucesso limita a sua vida, tanto financeira como sentimental. Não conseguindo suster a família a mulher abandona-o, cansada da vidinha miserável e de fazer vários turnos por dia, afinal o sonho da América é mais do que isso…Chris acaba por conseguir ficar com o filho, mas rapidamente perde tudo e passa a ter como tecto, o quarto que consegue, ficando na fila de espera para os sem-abrigo, não sendo sempre fácil consegui-los.

Chris tem um sonho e em parte a confiança de que pode fazer melhor e tenta obter um cargo como corrector de bolsa, mas primeiro é necessário fazer o estágio não remunerado e obter o 1º lugar entre 20 ou mais estagiários. Nada fácil sem dinheiro, sem casa e com um filho de 5 anos...E claro temos o drama de uma criança (interpretado pelo filho de Will Smith - Jaden Smith) que alheada de tudo e de nada tenta viver a sua infância e ao mesmo tempo consolar um pai desolado. É sem dúvida um típico filme americano…da coragem, da miséria, do sonho americano, da escalada de pobre a multimilionário….Pois a história é verídica e Chris realmente subiu as escadas do poder e conseguiu… Todavia não deixa de ser um filme comum, tocante mas já demasiado banalizado pela 7ª arte. A cena na casa de banho do metro é muito boa e Jaden Smith é um fofo…destacando-se na minha opinião mais que o pai, que mesmo assim tem um registo bem diferente de MIB ou mesmo “Independency Day”.

Um filme razoável no estilo sentimentalóide mas não extraordinário.

"Bobby" de Emilio Estevez


Emílio Estevez realiza e actua ao lado do pai, Martin Sheen, neste filme biográfico da morte de Robert F. Kennedy em 6 de Junho de 1968 no Hotel Ambassador. RFK foi um dos dois irmãos mais novos do Presidente democrata John Kennedy. Foi um dos conselheiros do irmão e esteve envolvido em muitas questões importantes da época, nomeadamente o Vietname e os direitos raciais. Após o assassínio de JFK em 1963, RFK continuou em funções com o Presidente Johnson que sucedeu ao irmão. Em 1968 candidata-se à presidência, rivalizando com Eugene McCarthy a liderança do partido democrático. RFK simbolizou para o povo a nova esperança, a viragem que os EUA tanto ansiavam, mas que acabou numa cozinha de um hotel muito famoso de LA, às mãos de um palestiniano (por causa do apoio a Israel), no dia preciso em que RFK tinha ganho as primárias em LA.

Apesar da história ser de conhecimento geral, pois marcou uma época, o filme cativa-nos de uma forma surpreendente. O elenco é cheio de actores conhecidos: Laurence Fishburne, Heather Graham, Anthony Hopkins, Helen Hunt, Joshua Jackson, Ashton Kutcher, Lindsay Lohan, William H. Macy, Sharon Stone e Demi Moore. Cada personagem é uma peça que encaixa perfeitamente no puzzle, desde os trabalhadores mexicanos ilegais do hotel à miúda que se casa para salvar um rapaz da morte certa (alistar-se no exército). É o retrato da época, da devoção, dos valores de RFK para os EUA dos anos 60 e da mal fadada guerra no Vietname, qual chacina para os jovens. RFK era a esperança e é impossível não sair do filme com pena, com vontade de mudar as coisas, de nos tornarmos mais humanos…mais idealistas…

Como filme está muito bem conseguido mas não é filme de realizador e não há personagens em evidência, todos trabalham para um bem maior…a mensagem para as gerações futuras…

Sunday, January 14

“Babel” de Alejandro González Iñárritu


Babel é um filme cru, nem sempre agradável, chega ao espectador de uma forma inesperada mas deixa a sua marca. Babel conta três histórias interligadas decorrentes em 3 continentes diferentes: América, África e Ásia. Em Marrocos, uma turista americana, Susan Jones(Cate Blacnchett), é alvejada acidentalmente. Os filhos desta, por consequência, vão para o México com a ama mexicana, por esta ter de ir ao casamento do filho. No Japão Chieko vive o drama de ser surda-muda e teenager incompreendida. Vive-se neste filme o drama do terrorismo, a facilidade com que uma brincadeira estúpida vira um problema político internacional, tal é a sensibilidade do mundo. O drama familiar, por vezes corriqueiro e livre de diálogo é posto à prova em circunstâncias de sobrevivência. O quão menor tudo se torna…e como é a grandeza do amor. México, problema político tão vincado…irritabilidade à flor da pele nas fronteiras…lei da sobrevivência e do egoísmo, desespero, falta de humanidade… uma má escolha pode se tornar numa catástrofe… Japão, cidade populosa…solidão extrema…Chieko apenas quer um pouco de carinho humano…não é afinal o que queremos todos??? Amor…presentes nas suas várias formas em cada história…é que é o mais importante…é o que ajuda nas alturas difíceis e é por ele que sofremos…nada mais…

Este filme vinca problemas actuais desde a imigração ilegal, o terrorismo/estado de medo e a incompreensão social/humana. É um filme intenso…é um filme de Iñárritu… Peca pelas passagens bruscas e não acho que Brad Pitt esteja assim tão bem como postulam. É um filme bom a fugir para o razoável, e apesar de tudo não me atingiu.

Friday, January 12

“Eragon” de Stefen Fangmeier

O filme fantástico de Natal foi sem dúvida Eragon, apesar da enchente de filmes de animação tais como “Happy Feet” e “Artur e os Minimeus”. Inspirado na obra homónima de Christopher Paolini, o filme sofre com os assobios face a uma óbvia comparação à trilogia do Senhor dos Anéis. Paolini escreveu jovem o livro, inovou pouco e foi criticado por isso. Mesmo assim teve um sucesso colossal. De certa forma a fórmula mágica resulta, mas o género necessita de mais… Stefen Fangmeier, associado aos efeitos especiais de vários filmes, tais como: “Saving Private Ryan”, “Master and Commander”, “Lemony Snicket” e é neste campo em que ele é melhor. A personagem que marca uma posição é o dragão Saphira (Rachel Weisz) e Brom interpretado pelo grande Jeremy Irons. Já as restantes são um pouco insípidas, e o jovem Eragon ainda muito cru. Por vezes perde-se a narrativa e é tudo muito instantâneo, perdendo-se a intensidade presente no livro. As paisagens valem a pena e foram filmadas na Hungria e Eslováquia. O jovem actor Edward Speleers (Eragon) mencionou que irá participar nos restantes filmes, Eldest e Empire, sendo que o livro deste último ainda não foi publicado da Trilogia da Herança. Cá esperamos…

Monday, January 1

“A bruxa de Oz” de Gregory Maguire


Gregory Maguire é um autor americano que contribui para o imaginário infantil e adulto com obras como:”Confessions of an Ugly Stepsister”, “Lost”, “Mirror mirror” e “Wicked”, que se baseiam em personagens intrínsecas à nossa cultura.
“A bruxa de Oz” relata um possível background do famoso livro de L. Frank Baum “O feiticeiro de Oz”, que foi imortalizado no filme de 1939, sob a direcção de Vítor Fleming e protagonizado pela doce Judy Garland.


“A bruxa de Oz” é um livro para adultos que fantasia o nascimento das Bruxa Má do Oeste, a Má do Este e o seu relacionamento com a Bruxa Boa do Norte, e todo o percurso até à chegada de Dorothy. Acrescentando à fantasia um fundo político temos um regime hitleriano/fascista em Oz, um clima de medo e de opressão de ideias e ideais.
Este livro é uma brisa fresca com todo o seu imaginário…e que bom é poder imaginar e sonhar com as personagens e as suas demandas, tal e qual visualizar o filme com todas as suas cores e música.


(site do autor http://www.gregorymaguire.com/)

Tuesday, November 21

“The Departed” de Martin Scorsese


Uma vez mais, à semelhança de “Gangs of New York”, Scorsese realiza um filme centrado num bairro governado pelo crime organizado irlandês, só que no Sul de Boston. Este bairro é governado por Frank Costello (Jack Nicholson), o chefe da máfia que a polícia tenta avidamente capturar. Com reviravoltas e esquemas à mistura Costello consegue ter na SIU (Unidade de investigação especial) Collin Sullivan (Matt Damon) como toupeira. Em contrapartida a polícia de Boston coloca William Costigan Jr (Leonardo DiCaprio), agente recém-formado, como agente infiltrado no gang, tirando assim partido do seu passado/ascendência. Enquanto que Sullivan consegue manipular a sua ascensão na carreira fazendo-se passar por bom polícia, Costigan passa o diabo para aparentar ser mau. E é este ser mau que por vezes falha, DiCaprio representa bem sim senhora mas há cenas em que custa a crer que o próprio Costello ache que ele é um bad boy. Este filme demonstra claramente a complexidade destas redes e da própria dicotomia polícia/criminoso, nem sempre muito clara. Entre a linguagem própria de Scorsese e baseando-se noutro filme – “Infiltrados” de Wai Keung Lau e Siu Fai Mak, ele consegue realizar um filme bom, Sullivan apresenta-se pouco carismático e pouco leal, Costigan atormentado mas determinado e Costello poderoso mas consciente. Entre os secundários temos outros actores: Alec Baldwin, Martin Sheen, Mark Whalberg e a actriz Vera Farmiga.
O único problema do filme e da maioria deste género é a falta de surpresa…que este só consegue parcialmente no final. As cenas de acção são muito cruas (não necessariamente mau) e para quem viu a cena final do Miami Vice, esta sabe honestamente a pouco. Jack Nicholson absorve completamente o ecrã ofuscando tudo e DiCaprio continua a ter infelizmente alguns tiques, mas parece-me no bom caminho. Não sou fã de Scorsese mas admito sem dúvida o seu calibre, é pena que este género esteja a desfalecer por falta de argumentos poderosos. Este até é bom mas falta-lhe qualquer coisa, prende o espectador e deixa-o expectante mas há qualquer coisa de dejá vu. Mas bom à mesma...por isso vejam.

Tuesday, November 7

Monday, November 6

“Children of Men” de Alfonso Cuarón

Ano 2027, o mundo é um caos e perece da incapacidade da espécie humana de se perpetuar. Não há futuro, logo não há esperança, nem para a humanidade nem para o planeta. No entanto, a Inglaterra ainda se mantém, quiçá por ser uma ilha, aprisionando e instigando a remoção de todo e qualquer emigrante, os quais são remetidos para campos de “concentração” sem o mínimo de humanidade. Clive Owen, Julianne Moore e Michael Caine integram o elenco deste filme, realizado pelo autor mexicano de filmes como “Great Expectation (1998)”, “Y tu mamá también (2001) e o mais recente “Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004)”. O argumento é baseado no livro de P.D. James, com o título homónimo ao filme e escrito pelo próprio Cuarón. A trama toma curso quando Faron (Clive Owen), antigo activista é incumbida de levar a mãe da humanidade até a um barco na costa da Inglaterra, que a levará a ela e ao seu filho até aos Açores, onde está sedeado o Projecto Humano que visa a renovação da espécie.

A história não é nova… a infertilidade é um problema cada vez mais actual, mas nunca a tão grande escala. O que será necessário para que massivamente todas as mulheres deixem de ser férteis de um momento para o outro? Culpa-se a poluição, culpa-se as novas tecnologias, mas a verdade é que nada disso é bem explicado ao longo do filme. É natural que a infertilidade aumente…mas e os países de 3º mundo? Será viável? Não me parece…Demasiado cliché a ideia de que apenas um mulher poderá salvar a humanidade e que pouca coincidência, ela é negra e “estrangeira”, tal como provavelmente a nossa origem, quando o homem veio de África. Até Maria, a mãe de Cristo o foi. O filme tem o seu quê de violento, não só visualmente como psicologicamente. Apesar das guerras do século passado ainda estarem muito presentes e as guerras do presente serem fruto de grande exposição mediática, o certo é que ainda nos espantamos com a nossa “humanidade”, com a nossa pequenez e como a própria política rege sobre as dificuldades.
O filme é mediano porque não se foca na explicação mas na acção, demonstra bem o caos e expõe por comparação inevitável o problema dos refugiados e dos emigrantes (ora não fosse o autor mexicano) e ao mesmo tempo caí no erro de não aproveitar bem os seus actores. A situação parece por vezes tão irreal como por vezes a própria representação, provavelmente por falta de densidade das personagens.

Sunday, September 17

“Volver” de Pedro Almodóvar


Pedro Almodóvar é conhecido pelo impacto dos seus argumentos, que normalmente abordam temáticas actuais importantes e cuja reflexão é necessária. Em cada filme ele coloca normalmente um pouco de si, mesmo que s apenas no nome que dá às personagens que incarnam as histórias. Em “La Mala Educación”(2004) é abordado o tema da pedofilia nos colégios de padres, facto que o próprio Almodóvar presenciou. Em “Volver” é contada a história de três gerações de mulheres, da mesma família, cuja vida é retratada de uma forma muito realista, chegando a ser divertido visualizar todas as agruras pelas quais elas passam. O cenário alterna entre Madrid, nas zonas mais pobres e a terra natal das heroínas do filme, algures em La Mancha. Penélope Cruz, faz agradavelmente de Raimunda, e juntamente com a irmã Sole (Lola Dueñas) vêem-se na presença de Irene, a mãe morta (Cármen Maura). O desenrolar da história remexe num passado doloroso, mas apesar de toda a tristeza e dureza da vida, estas mulheres são tão fortes, determinadas e corajosas que a vida é obrigada a lhes sorrir. O filme é sem dúvida uma comédia agradável, com a surpresa de uma boa interpretação de Penélope Cruz, sem dúvida melhor na sua língua natal.

Sunday, September 3

“Miami Vice” de Michael Mann


Miami Vice é sem dúvida o filme do ano, embora nem toda a gente tenha a capacidade de o reconhecer. Apesar do título sugerir uma adaptação fiel à série famosa dos anos 80, o filme é bem mais actual que isso. Miami Vice conta uma história realista, das muitas que poderiam acontecer a dois detectives infiltrados de Miami. O espectador consegue perfeitamente absorver toda a adrenalina e energia, toda a introspecção a que são sujeitos os personagens, não fosse o filme rodado por Michael Mann, mestre nas cenas de acção e nas cenas absolutamente deliciosas em que o personagem pára e como ele tudo à sua volta. A realização é fantástica e com a utilização das câmaras de TV, com o grão característico, confere ao filme uma intensidade e realidade pouco comum nos filmes actuais. Jamie Foxx sobressai-se mais que Colin Farrel, apesar deste viver um romance intenso no qual Gong Li é soberba. Apesar das cenas de acção serem poucas as ao longo do filme, elas entranham no espectador e é difícil sair indiferente a este filme. Era bom que houvessem mais realizadores assim.

“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” de Gore Verbinski


O primeiro Piratas das Caraíbas revolucionou o conceito cinematográfico da pirataria dos mares, elevando o filme a uma grande popularidade. Esta popularidade deveu-se não só à história, mas à fantástica interpretação de Johnny Depp como o pirata visualmente mais gay e cómico.
Enquanto que o primeiro cheirava a inovação, este segundo filme, continuação das aventuras de Jack Sparrow, é puramente um filler. Não só é delineado nos moldes do primeiro, como são inseridos personagens tipicamente desinteressantes, para justificar uma ligação entre a busca do cofre do homem morto e as personagens. Will Turner conta neste filme com a presença do pai que é pouco explorada, servindo de âncora a um argumento a meu ver pobrezinho…não fosse no fim o rival do primeiro filme tornar-se no apoteótico salvador. Além disto distorcem todo o romance em prol de quê? Continuam a dar uma espada ao pobre do Will e toma lá vê se fazes umas coisinhas, enquanto a tua personagem se desvanece na sombra do Capitão Jack. Até o ressurgido Capitão Norrington acaba por ter mais presença. Por este andar o último filme, terá certamente uma dicotomia Jack vs Will, em que a menina Swan será raptada por um pirata asiático, interpretado pelo extraordinário Chow Yun-Fat. Toda a fantasia do barco, o polvo gigante e as caracterizações pareceram-me pouco credíveis e demasiado infantis para um filme que apesar de tudo tem um público-alvo bastante adulto. Apesar de outros filmes serem nitidamente superiores, face aos valores de box office é realmente o filme deste verão.

Monday, July 10

Blockbusters para este Verão




Miami Vice



Piratas das Caraíbas: O cofre do homem morto



O regresso do Superhomem

“The Break-Up” de Peytoon Reed



A maioria das pessoas sonham em encontrar a sua cara-metade, a tampa para a sua panelinha e o pior é que muitas vezes encontram só que a convivência é de facto um factor de risco. Este filme retrata essencialmente os problemas que muitos casais encontram pela vida fora, a não cedência e a falta de sacrifícios, em suma o egoísmo que não permite que não vejamos mais além e esse mais além não é mais do que a pessoa com quem dividimos a vida. Esta comédia dramática conta com a participação de Jennifer Aniston e de Vince Vaughn embrenhados na luta do imóvel onde ambos vivem, mas o que não se apercebem é que cada vez mais se ferem um ao outro. Este filme só vem realçar a falta de diálogo e de sacrifício de que sofrem os casais e que de uma maneira ou de outra também é possível mudar e que o amor como sentimento apenas não é tudo.

Sunday, June 18

"Hard Candy" (2005) de David Slade


Hard Candy é definitivamente um dos filmes que eu gostaria de ver, mas que graças às distribuidoras está em poucos cinemas cá no norte. No entanto, gostava de cá deixar a referência pois é capaz de ser um bom filme, a história anda a volta da pedofilia e encontros marcados na net, infelizmente uma realidade bastante próxima. Neste filme acho que a frase "lobo em pele de cordeiro " se pode efectivamente reverter, visto que a jovem não parece ser tão inocente. Se puderem vejam, é com Ellen Page (recentemente vista em X-Men 3 como Shadowcat), Patrick Wilson ("The Phantom of the Opera" e a magnífica série de Mike Nichols "Angels in America") e Sandra Oh ("Sydeways").

“She’s the Man” (2006) de Andy Fickman


No mundo das comédias adolescentes americanas teremos sempre o contexto “American Pie” misturado com uma hierarquia social cruel liceal, revelando sempre uma realidade um pouco irreal para os que cá vivem neste Portugal pequenino, mas que uma certa série televisiva tenta aproximar, vai se lá saber porquê…Não sendo fã deste tipo de comédias esbatidas e recorrentes, visualizei apenas com alguma satisfação “10 thing I hate about you”, que lançou Heath Ledger para o estrelato. De qualquer modo, despertam sempre o riso fácil e há dias em que de facto é o que necessitamos… “She’s de the Man” (Ela é Ele) tem traços da verdadeira comédia americana adolescente, há os jogadores de futebol, que neste caso são mesmo de Soccer e não de Rugby, há todo o escalão desde a miúda com aparelho à miúda mais sexy da escola…mas por incrível que pareça o filme não anda à volta disto…A personagem principal, Viola (Amanda Bynes) é uma rapariga que adora jogar futebol, mas tendo a sua equipa feminina sido eliminada e numa tentativa de provar o que vale, passa-se pelo seu irmão gémeo na escola rival para fazer parte da equipa de futebol masculina. É claro que acontecem desventuras habituais de uma rapariga fingir ser rapaz e ter um rapaz giro como companheiro de quarto…mas isso são pormenores a ver no filme…Não sendo de todo um filme genial, não nos deixa desiludidos por ser mais um filme para adolescentes, a verdade é que no meio esquecemo-nos de que efectivamente é disso que se trata. É um filme engraçado e passa-se um bom serão, mas não nos fica na memória por muito mais tempo.

(no Brasil o nome do filme é Ele é o Cara….ahahahahhah)

Sunday, May 28

“The New Word” (2005) de Terrence Malick


Em total poesia e comunhão com a natureza, as sucessivas imagens de “Novo Mundo” inundam-nos de paz, tranquilidade e beleza numa obra cinematográfica pautada pela glorificação da natureza como forma de amor que emana em todos os seus seres, mesmo sem que palavras necessitem de ser pronunciadas. E por tudo isto, este filme é extremamente calmo e com poucas falas, não deixando, no entanto, de ser intenso na sua transmissão.
Este filme retrata a vida e a época da famosa Pocahontas (Q'Orianka Kilcher), retrata igualmente o seu amor pelo Capitão John Smith (Colin Farrell) apresentando-o como real e não como algo platónico ao qual a Disney se associou, transmite igualmente a verdadeira essências das coisas. No mundo real prevalecem sentimentos mais estáveis, pois nem todos servem para construir uma existência, por muito mágicos que porventura possam ser. A felicidade nunca é a utopia que pensamos, pois à nossa volta ela existe efectivamente nas formas mais variadas. Além disto, encontramos uma Inglaterra necessitada de procurar novos mundos, novas formas de enriquecimento e de manutenção da sua população contrastando com a população nativa da América e os seus costumes, passando da paz inicial aos massacres e à grande redução de índios. O filme, apesar de bastante longo é um filme bastante belo e por isso não deve ser ignorado, conta uma história de uma forma peculiar, sem necessitar de um guião extensivo sobrepondo antes imagens que transmitem sentimentos poderosos. É quase um filme de culto, é necessário absorver a sua essência e aguentar as “paragens” da história, para se gostar verdadeiramente…Eu pessoalmente gostei, pela simplicidade, pela beleza, pela moral...Ele é talvez um pouco longo...É de focar a miúda de 15 anos (sim, na altura tinha 15… nasceu em 1990) que se aguentou muito bem, a sua expressividade e pureza foram sem dúvida uma mais valia…
No elenco constam também os senhores Christopher Plummer, Christian Bale (sempre bem…) e David Thewlis.

Para uns esta obra pode ser uma seca, mas se com jeitinho souberem apreciá-la decerto que não se arrependerão...

Sunday, May 21

“The DaVinci Code” de Ron Howard


O blockbuster do ano estreou-se mundialmente no dia 19 deste mês e eis que acontece a desenfreada loucura pelos primeiros bilhetes, as primeiras sessões...Nada melhor do que uma adaptação de um best seller mundial para arrastar multidões...Dan Brown escreveu o livro em 2001 e em crescendo se espalhou pelos vários continentes, traduzido em várias línguas, provocou tanta polémica quanto os “ofendidos” quiseram. Publicidade grátis? Ah pois é, ninguém resiste a um pouco de controvérsia. Li o livro há já algum tempo e confesso que me recordava apenas de alguns momentos chave, recordo-me perfeitamente que a revelação bombástica não me afectou, achei perfeitamente normal que Cristo se tivesse casado e eventualmente deixado descendência. Pergunto eu que mal tem isso? Se na bíblia, o livro mais lido de todos os tempos, está escrito “Crescei e multiplicai-vos (ou coisa que pareça)”, porquê que Cristo não poderia ter sido incluído, mesmo que apelidado de divino a sua condição humana é inegável. A própria ideia de uma igreja que caça e tenta destruir essa mesma linhagem é algo apenas aparentemente chocante, porque convenhamos que a história real da cristandade revela pouca pureza e digamos que está já um “pouco” manchada, mais uma nódoa ou não, acabamos por ficar na mesma. Falar de religião é sempre um tema controverso, primeiro porque os próprios factos se contradizem e quando algo se baseia em fé, então cada um tem a sua e não há quem tenha razão. A humanidade em crescimento exponencial é algo de muito perigoso por isso não é de admirar que existam histórias, religiões com o objectivo de conduzir o povo numa vivência terrestre mais serena. Concordo inteiramente na sua necessidade, os papéis dos profetas e reis foram importantíssimos, tanto para o bem como para o mal. Nunca saberemos ao certo quais as histórias verdadeiras, quais as aumentadas e fabricadas por um “bem” maior, o problema é quando deixa de existir este bem maior e começa a existir um clima de medo, intolerância, coacção e perseguição. O importante será cada pessoa atingir o seu equilíbrio no universo, com ou sem fé, com ou sem religião mas nunca esquecendo a tolerância e a livre vontade dos que as rodeiam.

Falando no filme, este conta com a participação de Tom Hanks (Robert Langdon), Audrey Tautou (Sophie Neveu), Ian McKellen (Sir Leigh Teabing), Paul Bettany (Silas), Jean Reno (Bezu Fache) e Alfred Molina (Bispo Aringarosa). Poder-se-á dizer um autêntico elenco de luxo, e se juntarmos os magníficos cenários, o Louvre, Paris, Londres, Temple Church, Roslyn Chapel e uma trama algo movimentada e efusiva o filme dir-se-ia ganho à partida. A questão é que com tanto isto ao dispor do realizador e dos próprios autores o filme sabe a pouco...Achei fantástico as cenas sobrepostas passado/presente, muito bem pensado, ficou muito bom! Dos actores devo dizer que Audrey está completamente encantadora, embora se note que o inglês custa a sair...dos restantes actores esperava mais, achei-os um pouco presos na representação, foram pouco inovadores na exploração das personagens...Não houve grandes desvios ao livro (penso eu), mas também não o melhoraram, as sequências de acontecimentos pareciam muito pautadas pela leitura do livro e no entanto não aproveitaram a parte do clímax para provocar mais suspense (não fazia mal nenhum pois nem toda a gente leu o livro).Em suma, o filme não deixa de ser engraçado e bom de ver (ai Paria Paris), mas faltou um toque de mestre.

Sunday, May 14

Enterro da Gata 2006



O site oficial das festas monumentais do enterro da gata este ano está bastante bom, simples e directo, vale a pena dar uma espreitadela, é certo que sexta-feira já começaram as festividades, mas nunca é demais lembrar que vale sempre a pena aparecer. O cartaz não é dos melhores que por cá apareceram mas que se dane o convívio é que é...Não se esqueçam de aparecer ao cortejo...finalistas é a nossa hora...

Recordando "Moulin Rouge"...


I follow the night
Can't stand the light
When will I begin
To live again?

One day I'll fly away
Leave all this to yesterday
What more could your Love do for me?
When will Love be through with me?

Why live life from dream to dream?
And dread the day when dreaming ends

One day I'll fly away
Leave all this to yesterday
Why live life from dream to dream?
And dread the day when dreaming ends

One day I'll fly away
Fly, fly away

Come What May Lyrics
Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
Want to vanish inside your kiss
Every day I love you more and more
Listen to my heart, can you hear it sings
Telling me to give you everything
Seasons may change, winter to spring
But I love you until the end of time

[Chorus:]
Come what may
Come what may
I will love you until my dying day

Suddenly the world seems such a perfect place
Suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn't seem such a waste
It all revolves around you
And there's no mountain too high
No river too wide
Sing out this song and I'll be there by your side
Storm clouds may gather
And storms may collide
But I love you until the end of time

[Chorus]

Oh, come what may, come what may
I will love you, I will love you
Suddenly the world seems such a perfect place

[Chorus]


Será uma boa forma de manter o blog vivo???Recorrer à nostalgia de canções eternas???